Vazamento de petróleo na BP em SP.

Ativistas do Greenpeace simularam um vazamento de óleo em frente à sede da BP, na capital paulista, em protesto contra o desastre ambiental provocado no Golfo do México pela explosão de uma plataforma de petróleo da empresa no dia 20 de abril. A simulação, que utilizou 4 barris cheios com uma substância preta (uma mistura de farinha com tinta não tóxica e lavável), nem de perto chegou ao tamanho do vazamento provocado no poço operado pela BP, estancado somente em meados de agosto.

Segundo dados do governo dos Estados Unidos, o acidente liberou o equivalente a 5 milhões de barris de petróleo no Golfo do México, paralisando a pesca e o turismo no litoral de 4 estados americanos e causando danos ainda incalculáveis a ecossistemas costeiros e marinhos na região. O número oficial, ainda não auditado por fontes independentes, é suficiente para transformar o vazamento da BP no maior da história e serve para lembrar dos riscos que o mundo corre para continuar a saciar a sua sede por combustíveis fósseis.

“Como já consumimos praticamente todo o petróleo em áreas de acesso mais fácil”, aponta Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Energia do Greenpeace, “temos que ir cada vez mais longe e mais fundo para encontrá-lo”. As novas reservas brasileiras, por exemplo, que estão na camada do pré-sal, encontram-se a mais de 7 mil metros de profundidade. A plataforma acidentada da BP extraía petróleo no Golfo do México a quase 2 mil metros de profundidade.

“O acidente demonstrou que não há tecnologia capaz de evitar grandes vazamentos no mar”, diz Baitelo. Além da falta de segurança, o investimento na exploração de petróleo em águas profundas segue na contramão da necessidade de se buscar fontes de energia capazes de reverter a crise climática. O consumo desenfreado de combustíveis fósseis aumenta as emissões de gases do efeito-estufa, que contribuem para o aquecimento global.

“É mais do que hora de começarmos a investir em fontes renováveis, como eólica e solar, para a geração de energia”, insiste Baitelo. No caso do Brasil, existe um projeto de lei tramitando no Congresso para incentivar o investimento e a utilização de energias renováveis, limpas e seguras no país. Mas o governo não parece interessado nele. Prefere enxergar o desenvolvimento do país na exploração das reservas do pré-sal.

“Estamos olhando para o futuro com a cabeça virada para trás, apostando numa fonte de energia cada vez mais arriscada, finita e suja ”, diz Baitelo. As reservas do pré-sal se esgotarão em apenas 40 anos. E se forem totalmente exploradas, podem emitir até 56 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera, consolidando a presença do país entre os maiores responsáveis pelo aquecimento global.

A atividade em frente ao escritório da BP em São Paulo durou cerca de meia hora e envolveu 15 ativistas. Eles derrubaram dois dos barris e fizeram furos nos outros dois, espalhando bichos de pelúcia sobre a substância preta que saía deles, representando a fauna do Golfo do México atingida pelo petróleo que vazou da plataforma. Os ativistas também prenderam uma placa no chão com a frase “BP hoje, pré-sal amanhã”, lembrando dos riscos de se ir cada vez mais fundo na busca de uma fonte suja de energia.

Desde a semana do acidente, representantes do Greenpeace USA, acompanhados de um  especialista que lidou com o vazamento da Exxon Valdez (Alasca, 1989),  documentam em imagens e relatos os impactos do vazamento com o intuito de alertar para aquilo que nem a BP, nem o governo americano querem revelar. Agora, o navio Artict Sunrise chega ao Golfo, levando cientistas para investigarem como está o fundo do mar após o desastre.

Texto retirado do site do Greenpeace.

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Published in: on 14/08/2010 at 21:30  Deixe um comentário  

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