Dislexia: como identificar e intervir.

Pesquisas revelam que cerca de 17 % da população mundial sofre distúrbios ou transtornos de aprendizagem que se caracteriza por alterações qualitativas ou quantitativas total ou parcialmente reversíveis.

Dislexia, um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, a dislexia é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula. Ao contrário do que muitos pensam a dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência. Ela é uma condição hereditária com alterações genéticas, apresentando ainda alterações no padrão neurológico.

Dados estatísticos afirmam que 5% a 17% da população mundial é disléxica e cada indivíduo possui suas particularidades. Segundo a ABD (Associação Brasileira de Dislexia) de cada dez disléxicos diagnosticados no Brasil nos últimos dois anos, sete eram adultos.

Os disléxicos são pessoas instruídas que enfrentam problemas de escrita e leitura até descobrirem que possuem um transtorno neurológico. Afinal, o que é a “dislexia”? A psicóloga Ana Paula Cândido explica que a dislexia consiste numa perturbação da leitura e escrita que ocorre em crianças com características cognitivas e desenvolvimentais adequadas á sua idade, ou seja, a criança tem um desenvolvimento físico, intelectual e emocional adequado ou superior á sua faixa etária. A dislexia se apresenta em três tipos, por Disgrafia (letra ilegível); Disortográfia (dificuldade de produção de texto bem organizado) e Discalculia (dificuldade da escrita de números e das operações numéricas), nas quais a intervenção também deverá incidir. Na maioria das vezes só se percebe que a criança possui essa perturbação na fase escolar. Esse é o papel do educador, detectar as características de seu aluno. “É recorrente pais e professores interpretarem o aluno disléxico como desinteressado é imaturo, o que contribui para baixar a autoestima da criança”, diz a psicóloga.

Para a dona de casa Adriana Oliveira Santos, 43 anos, a dislexia é presente em sua família. Ela possui três filhos, Lívia sua filha mais nova apresenta dificuldades de aprendizagem. Até que Adriana foi convidada a comparecer a escola, ali mesmo foi informada pelos professores sobre a “dislexia” até então uma palavra desconhecida por ela, em seguida informada de que sua filha poderia sofrer distúrbios de aprendizagem.

Sem saber o que significava, questionou ao professor que também não soube lhe explicar com clareza. Procurou uma profissional que sinalizou uma possível ou provável dislexia com percepção de déficit de atenção. Logo após a confirmação Adriana passou a acompanhar sua filha nos estudos todos os dias. “Lívia, apresentava muita dificuldade”, afirma. Próximo ao fim de ano, ao pegar o resultado final do currículo estudantil da Lívia, ela havia reprovado. “Comecei então uma luta incessante, hoje tenho um processo aberto na justiça contra a escola” explica. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- ( Lei No. 9394/96), em seus artigos 12 e 13, é clara: Art. 12º. Os estabelecimentos de ensino, terão a incumbência de: […] V- prover meios de recuperação dos alunos de menos rendimento; […] VII- informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da sua proposta pedagógica.

A escola em que Lívia estudava não quis declarar nada sobre o assunto. Segundo o pedagogo Daniel Azevedo, estudante de Psicopedagogia, a dislexia ainda é uma incógnita para a sociedade, poucas pessoas a conhece e tão pouco sabe seus sintomas. “A maior responsabilidade em detectar a dislexia está em nós educadores, e o que podemos perceber dessa nossa realidade é que ainda não estamos preparados para arcar com esse peso”, revela o professor. “As escolas ainda não estão preparadas para receber e até mesmo proporcionar os devidos tratamentos para um estudante disCriança disléxica em mais um dia de estudo léxico”, confessa Daniel.

Texto retirado do Jornal Laboratório do Curso de jornalismo das Faculdades Alves Farias, disponível na internet.

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Published in: on 15/08/2010 at 21:04  Comments (12)  

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12 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Parabéns por mais um pelo post.

    Pode ter certeza que o conhecimento que você vem adquirindo com o seu blog não tem preço.

    E o melhor: O conhecimento que você vem conquistando também é levado aos seus leitores.

    Parabéns Flor.

    Te amo!

    • Que lindo, seu comentário.

      Obrigada por sempre me apoiar e me ajudar a realizar os meus maiores sonhos.

      Sem você eu não conseguiria chegar onde cheguei.

      Também te amo.

  2. Realmente… se formos parar para pensar em tudo que acontece no meio escolar e que passa despercebido, chegaremos à conclusão de que desta maneira as coisas vão de mal a pior. Não somente a dislexia; mas, o bulliyng também. Se faz necessário que os pais sejam mais presentes na vida social e acadêmcia de seus filhos senão, o que será do futuro desses pequenos?

    Gustavo Ferreira
    Graduando em Ciências Biológicas

  3. Marília…
    Estou adorando receber tudo que vc está postando no seu blog e mais, faço questão de passar adiante para os colegas de faculdade.

    Parabéns pelo trabalho que vem exercendo.

    Ganhou um fã em Três Rios: EU!

    Grande beijo

    Gustavo Ferreira

    • Oi, Gustavo.

      Você não imagina o quanto estou feliz!! Ouvir esses comentários me deixam mais convicta de que escolhi a profissão certa e que estou de uma forma bem modesta fazendo a diferença.

      Obrigada pelas indicações e por gostar do blog. Volte mais vezes.

  4. SOU PORTADORA DE DISLEXIA E SEI COMO E DIFICIO ESTE TRANSTORNO E COMO EXISTE O DESPRE PARO MEDICO PARA TRATAR DO PROBLENA FANTASTICA MATERIA

  5. Parabéns pelo post…sou estudante …e gostei muito da informação sobre as dificuldades da aprendizagem,na qual orientou meus estudos.

    • Oi, Sara.

      Eu que agradeço pela visita. Acompanho a dislexia de perto, tenho mãe e irmão disléxicos!

      Obrigada!

  6. Meu filho é muito inteligente, tem uma dissertação muito boa, porém a ortografia dele é ruim. Ele até ser esforça mas não consegui escrever certo. Pode ser dislexia?

    • Jailze, acho bom você procurar um especialista!! Até porque eu não sou.
      Mas não fique preocupada!

      Abraços.

  7. GOSTEI MUITO DO SEU BLOG ,MARILIA , SOU PROFESSORA , TENHO ALUNOS DISLEXICOS E PROCURO SIM AJUDA-LOS COMO DEVERIA SER FEITO ,ESTUDO SOBRE DISLEXIA POIS É O TEMA DE MINHA MONOGRAFIA ,ALÉM DO MAIS O MEU INTERESSE SOBRE DISLEXIA FOI QUANDO CONHECI O MEU NOIVO E DESCOBRI QUE ELE TINHA DISLEXIA BUSQUEI PROFISSIONAIS ADEQUADOS E MINHA DESCONFIANÇA ESTAVA CERTA ,ELE DESCOBRIU A DISLEXIA NA FASE ADULTA ,SOFREU MUITO ,E O MEU MAIOR MOTIVO DE BUSCAR CONHECIMENTO E NÃO PERMITIR QUE O NOSSO FILHO PASSE PELO MESMO SOFRIMENTO QUE SEU PAI PASSOU …..QUERO FICAR EM CONTATO ….

    • Rafaella,

      Seu bem o que vocês passam. Minha mãe e meu irmão também são dislexos!

      Espero que troquemos muitas boas informações.

      Abraços,

      Marilia Escobar


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