BH tem maior índice de ozônio.

O relatório de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) – Brasil 2010, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que os níveis dos principais poluentes têm se mantido estáveis nas grandes cidades do país, com exceção do ozônio, que ainda é encontrado em altas concentrações. As regiões em que a concentração anual máxima foi maior em 2008, segundo o levantamento, foram Belo Horizonte, com 300 g/m³, São Paulo (279) e Rio de Janeiro (233), respectivamente. O padrão considerado aceitável pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) é 160 g/m³.

O ozônio é um forte oxidante, que provoca irritação das mucosas e das vias respiratórias. Ele é gerado, na baixa atmosfera, por reações fotoquímicas entre óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis, oriundos da queima de combustíveis fósseis. Segundo o IBGE, é um poluente de difícil controle, por causa do aumento da frota de veículos automotores nas grandes cidades brasileiras.

De acordo com o engenheiro químico Gilberto Caldeira Bandeira de Melo, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) recebe uma radiação solar maior por causa da altitude. “Como os raios do Sol são um dos ingredientes da formação do ozônio, os mineiros tendem a sofrer mais com os efeitos”, explica.

Ainda segundo o professor, a topografia acidentada, com muitos morros, pode ser um dos motivos para Belo Horizonte – onde circulam cerca de 1,2 milhão de automóveis – ter ficado à frente da cidade de São Paulo – com uma frota estimada em 6,7 milhões de veículos – no ranking do IBGE.

“As barreiras geográficas naturais exigem mais esforço dos carros e geram uma emissão maior dos gases que compõem o ozônio”, afirma Gilberto. Na opinião do engenheiro químico, a falta de uma política pública para o controle da poluição pode ter consequências graves. “A exposição ao ozônio ao longo dos anos causa a destruição de células e tecidos, favorecendo o surgimento de doenças e acelerando, por exemplo, o envelhecimento”, alerta.

Usada como desinfetante, a substância tem o poder de destruir material celular e possui características cancerígenas. “É uma substância muito agressiva, tanto para o ser humano, quanto para a natureza. A produção agrícola, no futuro, também poderá ser afetada pela emissão exagerada de ozônio na atmosfera”, acrescenta o especialista da UFMG.

Outros gases. Segundo o IBGE, a concentração de outros poluentes, como o dióxido de enxofre (SO2), o dióxido de nitrogênio (NO2) e o monóxido de carbono (CO), tem se mantido estável ou em declínio.

Ao contrário do observado para os dióxidos de enxofre e nitrogênio, as concentrações anuais médias de partículas totais em suspensão (PTS) e de partículas inaláveis (PM10) em algumas regiões metropolitanas estão bem acima do padrão do Conama, como é o caso de Curitiba e Vitória.

No caso do Distrito Federal, os elevados valores de partículas em suspensão refletem, provavelmente, as condições climáticas locais e a ocorrência de queimadas no entorno de Brasília durante a estação seca.

O material particulado, especialmente aquele mais fino, as partículas inaláveis, provoca e agrava doenças respiratórias, além de servir como agente transportador de gases tóxicos (absorvidos à superfície das partículas) para o pulmão e, consequentemente, para a corrente sanguínea.
As informações utilizadas para a elaboração desse indicador foram produzidas pelos órgãos estaduais, secretarias municipais de Meio Ambiente e instituições privadas.

Perto do caos. A frota de veículos em Belo Horizonte cresce 10% ao ano. Segundo a BHTrans, cerca de 1,2 milhão de automóveis circulam atualmente nas ruas – dos quais 800 mil são carros.


Efeito estufa

Cresce o consumo de HCFCs no país

Brasília. O levantamento do IBGE mostrou ainda que, após vários anos de queda, com valor mínimo em 2006, houve um aumento no consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio no país em 2007 e 2008. O IBGE alerta que, apesar de o Brasil ter superado metas internacionais de consumo de compostos com maior potencial de dano (como o clorofluorcarbono, ou CFC), houve aumento do consumo de compostos menos danosos nos últimos anos.

A partir de 2006, os HCFCs, ou hidroclorofluorcarbonos, que são gases usados como fluídos refrigerantes em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, se tornaram as principais substâncias destruidoras da camada de ozônio em uso no Brasil. No total, o consumo de todas essas substâncias teve pequeno aumento, de 1,43 mil toneladas em 2006 para 2,09 mil toneladas em 2008.

Em contrapartida, houve desaceleração no crescimento da emissão de gases de efeito estufa no país. Enquanto no período de 1990 a 1994 o aumento tinha sido de 8,8% (de 1,35 bilhão para 1,48 bilhão de toneladas de CO2), de 2000 a 2005 o incremento foi de7,3%, de 2,05 bilhões de toneladas para 2,20 bilhões .

Entenda
– O ozônio presente em excesso na atmosfera de Belo Horizonte e outras capitais do país não é aquele da camada de ozônio, que protege o planeta contra a radiação ultravioleta, extremamente prejudicial à saúde dos seres vivos.
– O gás ozônio danoso se forma pela ação da luz solar sobre os óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis liberados na queima da gasolina, diesel e outros combustíveis fósseis.
– Em excesso no ar, pode causar irritação das mucosas e das vias respiratórias.

Texto retirado do Jornal O Tempo.

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Published in: on 07/09/2010 at 19:33  Deixe um comentário  

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