Alunos e professora criam processo de biorremediação de solo contaminado por gasolina.

O tratamento de solos contaminados por gasolina custa tempo e dinheiro. Comparativamente com os demais combustíveis, a gasolina concentra grande quantidade de substâncias nocivas à saúde humana, como o benzeno, que pode provocar leucemia. Os mecanismos de remediação de danos ambientais provocados por infiltração do combustível no solo custam, no mínimo, entre R$ 300 mil e R$ 500 mil e levam cerca de dois anos para serem concluídos. A eficiência desses processos pode chegar a 99%.

Conseguir um meio barato e eficiente de descontaminação do solo é um desafio para as universidades que investem em processos alternativos e ambientalmente indicados, como a biorreme-diação. Por essa técnica, micro-organismos – bactérias e fungos – digerem o material contaminante quebrando as moléculas dos hidrocarbonetos, como benzeno e tolueno, transformando-os em substâncias presentes na natureza: água e gás carbônico.

Os estudos ambientais para minimizar os efeitos da gasolina no solo começam a marcar presença inclusive nas universidades privadas que nunca trabalharam com pesquisas do gênero. No Centro Universitário UNA, alunos do curso de graduação em Ciências Biológicas desenvolveram pesquisa de biorremediação com boa aceitação no meio científico.

Performance bastante incomum para estudos de graduação, a pesquisa chegou a ser publicada em duas revistas científicas nacionais que possuem reconhecimento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes).

Uma das orientadoras do projeto, a professora Fernanda Wasner, que também é coordenadora do curso de Gestão Ambiental da instituição, avalia que a pesquisa tem dois pontos principais de destaque em comparação com estudantes semelhantes em andamento no meio científico.

“O primeiro, é que foi usada amostra de solo contaminado e não injeção de micro-organismos em terra descontaminada, agilizando a pesquisa; o segundo, é que optamos por isolar e trabalhar com um grupo reduzido de fungos e bactérias que, segundo as análises de laboratório, se mostraram mais eficientes na degradação do material poluente”.

A limitação ao número de 10 micro-organismos, quatro bactérias e seis fungos com mais afinidades com a gasolina, segundo ela, reduz muito o custo com a pesquisa, que ela prefere não revelar. “Mostramos que, dentro dos recursos biotecnológicos, é possível reduzir os custos consideravelmente”, diz a professora, emendando que o projeto é muito simples. Outra vantagem de usar micro-organismos da própria área contaminada é que o equilíbrio ecológico do local fica preservado. A introdução de organismos estranhos ao solo que se pretende descontaminar pode afetar o equilíbrio da microfauna local.

Conforme a professora, a primeira fase da pesquisa durou seis meses e a segunda, de campo, deverá ser iniciada neste ano. O tempo estimado para que uma pesquisa de campo seja concluída é de aproximadamente dois anos. Os testes devem compreender as mudanças do clima provocadas pelas estações do Inverno e do Verão.

Fernanda explica que, para chegar a ser comercializado, um produto gerado a partir de pesquisas tem que ser exaustivamente testado em campo. “No laboratório, tudo segue em ambiente controlado. Em campo, isso muda completamente porque trabalha-se com muitas variáveis”.

A experiência da pesquisa para os alunos da faculdade privada seria outro ponto de importância do estudo. De acordo com a professora, os alunos das faculdades particulares pensam que nunca vão trabalhar com pesquisa, convicção que o estudo contrariou numa experiência pouco comum, como ela admite.

Para Fernanda, o estudo despretensioso mostrou aos alunos que eles podem, sim, trabalhar com pesquisa e aplicá-la no mercado profissional. “Para qualquer pesquisa realizada dentro da metodologia, o resultado é efetivo”, observa.

A publicação em duas revistas científicas reconhecidas pela Capes, segundo a professora, confirmou a importância da pesquisa denominada Estudo de micro-organismos presentes em áreas contaminadas por gasolina comercial. Para qualquer trabalho científico ganhar relevância, a publicação em revistas especializadas é decisiva. “Não adianta nada fazer o trabalho e não publicar o artigo”, conclui.

Mesmo considerando que é grande a quantidade de pesquisas para descontaminação de solos em andamento, o professor Celso Loureiro, da UFMG, especialista em hidrogeologia ambiental, diz que os métodos mais usados para remediação de contaminação por combustíveis não contemplam as medidas de biorremediação.

“Normalmente, bombeia-se água com tratamento para tratar a área, ou retira-se a água contaminada do lençol freático para tratar, e depois ela é reinjetada no local”. Ele explica que as atuais exigências legais começaram entre os anos de 1999 e 2000, quando passou ser obrigatório os postos tirarem a licença ambiental.

No primeiro momento, os já instalados passaram por análise de risco de contaminação e de readequação das instalações para evitar a contaminação por vazamentos, por exemplo. Em seguida, a licença foi exigida para todos os estabelecimentos que entravam em operação.

O professor detalha que a avaliação de risco inclui inicialmente uma triagem de vapores no solo para identificar a presença dos hidrocarbonetos voláteis. “Eles são o indício de que há contaminação na área”. Uma vez detectada a poluição, a área precisa ser tratada conforme os critérios indicados pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam).

De acordo com Loureiro, a análise exigida pela lei é complexa e tem objetivo de identificar os riscos reais para a contaminação do solo e uso e ocupação do entorno do estabelecimento. Segundo estudos de técnicos da Feam, os danos à saúde humana decorrentes da contaminação do solo e da água por combustíveis levam de 10 a 15 anos para aparecer.

Texto retirado do jornal Hoje em Dia.

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