Aumenta a apreensão de bichos clandestinos em aeroportos do país.

Provavelmente, o destino dela seria viver como animal de estimação de alguém que estava aguardando sua chegada ao Brasil. Mas a iguana, que viajou vários quilômetros embalada numa caixa de papelão fechada com fita adesiva, não foi entregue no endereço de seu destino, ao contrário das outras encomendas do mesmo voo. A entrada do bichinho no país foi barrada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O caso é curioso e triste ao mesmo tempo – porque não é o único. Além de animais exóticos, doce de leite, camarão em conserva, queijos, sementes e flores têm cada vez mais atravessado as fronteiras brasileiras de forma irregular. Sem autorização, há risco de entrada de epidemias ou doenças que se alastram sem controle. “Quando uma praga nova chega ao país, não encontra resistência e se espalha descontroladamente”, explica Harumi Hojo, responsável pela triagem de produtos vegetais e assistente do Instituto Biológico, da Secretaria de Agricultura de São Paulo.

No ano passado, foram apreendidas 75 toneladas de produtos alimentícios ou animais nos cinco principais aeroportos brasileiros – volume recorde, segundo o Mapa. Em um ano, o total de apreensões subiu 25%, a maior alta anual já registrada pelo órgão. Todos os voos fiscalizados são internacionais e a maioria dos produtos apreendidos é para o consumo ou para uso próprio. Só do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, foram 50 toneladas de itens irregulares, dois terços das apreensões feitas ao longo do ano. Em segundo lugar, ficou o aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro, com 12 toneladas.

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O crescimento no volume de produtos e animais apreendidos coincide com o aumento do número de viajantes

 que passam pelos aeroportos brasileiros. Desde 2000, o número de passageiros com destino ao exterior aumentou 16,6% para um recorde de 24,4 milhões no ano passado. O desconhecimento faz as pessoas cometerem a imprudência de colocar na mala alimentos típicos de vários países, como queijos franceses, o presunto espanhol ou o doce de leite argentino. “Geralmente esses itens vêm escondidos no fundo das malas, em embalagens falsas de cigarro ou no paletó”, conta Mirela Eidt, fiscal federal agropecuária. Qualquer produto de origem animal, como lácteos, embutidos, pescados e alguns de origem vegetal, como sementes, mudas e frutas são proibidos. O perigo é a disseminação de pragas, como a “vassoura de bruxa”. Esse fungo prejudicou a produção de cacau na Bahia, região responsável por 70% do plantio nacional. Não há como pagar multa ou pedir uma análise do Mapa para recuperar o produto. Todos são incinerados.

O Mapa tem aumentado as fiscalizações em aeroportos. Em janeiro, as apreensões dobraram em relação ao mesmo mês do ano passado. O objetivo é evitar casos como a do caramujo africano, que entrou no país nos anos 80 para substituir o escargot, um tipo de caracol comestível. O Ibama proibiu sua criação e o caramujo foi jogado na natureza. Hoje, é uma praga que destrói alfaces e orquídeas. Como as plantas, animais trazem algumas doenças – a Febre Aftosa, que pode afetar bovinos e suínos, e a peste suína chegaram ao país dessa maneira. “Somos excelentes produtores de carne suína”, diz Mirela. “Sacrificar animais doentes traz um prejuízo econômico considerável para o país.” E não adianta ter boa intenção, como um senhor que foi pego com três coelhos dentro da mala que seriam dados de presentes para as netas. Dois chegaram mortos – provavelmente sufocados – no Brasil. O terceiro teve de ser sacrificado, assim como a iguana embalada na caixa de papelão. Segundo o Ministério, sacrificar os animais que chegam de forma clandestina na bagagem é uma prática comum, tendo em vista que poucos podem ser devolvidos ao seu país de origem.

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Texto retirado do site VEJA.

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