Peixe antigo com mandíbula circular não é parente do tubarão, diz estudo.

Um peixe pré-histórico com a mandíbula inferior em formato circular, com dentes dispostos de maneira parecida com uma serra, não pertence ao grupo dos tubarões, dizem cientistas em um estudo publicado nesta quarta-feira (27) no periódico “Biology Letters”.

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Descoberta há mais de um século, a espécie do gênero Helicoprion foi primeiro descrita em 1899, mas os fósseis identificados até agora eram incompletos ou foram pouco estudados.

Agora, os cientistas usaram tomografia computadorizada e raios-X para avaliar os restos bem-preservados de um espécime encontrado em Idaho, nos EUA.

A análise foi realizada por pesquisadores de instituições americanas, como a Universidade Estadual de Idaho, a Universidade de Rhode Island e a Universidade Millersville. Pelo fóssil, eles descobriram que o animal possuía 117 dentes, entre os encontrados na mandíbula superior e inferior.

O animal tinha cerca de quatro metros de comprimento – outras espécies do gênero Helicoprion chegavam a ter o dobro do tamanho, dizem os cientistas. Os dentes na mandíbula eram presos a um tecido cartilaginoso que se estendia em formato espiral para dentro da estrutura da boca, segundo o estudo.

O fóssil analisado pelos cientistas foi encontrado na década de 1950 no estado de Idaho, mas não havia passado por uma avaliação tão minuciosa até agora, afirmam os pesquisadores. A análise da mandíbula inferior do fóssil evidencial que o animal era mais próximo dos peixes da ordem Chimaeriforme.

Texto retirado do site G1.

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Published in: on 03/03/2013 at 10:22  Deixe um comentário  

Cães podem ter feito homem moderno superar Neandertal.

Por mais de 32 mil anos, os cães têm sido fiéis companheiros do ser humano, vivendo, comendo e respirando enquanto ele passava de morador das cavernas a construtor de cidades. Nesse tempo, o planeta perdeu nossos primos mais próximos – e, muitos argumentam, nosso maior competidor: o Neandertal, que havia ocupado o território que hoje é a Europa por 250 mil anos.

Agora, um antropólogo sugere que estes dois fatos possam estar relacionados – e foi a amizade próxima entre seres humanos e companheiros caninos que pesou a favor do homem moderno. O pesquisador Pat Shipman afirma que as vantagens de um cão domesticado foram tão fundamentais para a evolução do homem que o fez ‘derrotar’ as espécies primatas competidoras.

Shipman analisou os resultados de escavações de ossos fossilizados de canídeos da Europa, do tempo quando humanos e Neandertais se sobrepuseram. A pesquisa, primeiramente, estabeleceu um quadro para as relações do melhor amigo do homem. Ela constatou que humanos primitivos acrescentavam dentes caninos a joias, o que demostra como os animais eram venerados. Além disso, eles raramente eram representados nas imagens das cavernas – o que indica que os cães eram tratados com uma reverência maior do que a dispensada aos animais caçados.

As vantagens que os cães deram ao homem primitivo foram enormes – os próprios animais eram maiores do que os cachorros modernos, sendo pelo menos do tamanho de um pastor alemão. Em razão disso, eles poderiam ser usados como animais de carga, levando carcaças de animais e suprimentos de um lugar ao outro, deixando que os humanos reservassem suas energias para a caça. Em retorno, os animais ganhavam calor, comida e companhia, ou, como Shipman descreve, “um círculo virtuoso de cooperação”.

Os cães também podem ter tido influência em como os seres humanos se comunicam. Cachorros e humanos são os únicos animais que têm grandes “brancos nos olhos”, e que seguem o olhar de outra pessoa. Essa característica não foi encontrada em outras espécies, o que pode significar que, com a evolução da relação homem-cão, ambos teriam aprendido a usar pistas não verbais com mais frequência. Assim, cachorros se tornaram uma das primeiras ferramentas que a humanidade começou a usar, e a relação se desenvolveu de ambos os lados, se tornando muito arraigada em nossa psique.

E, antigamente, quando qualquer vantagem era necessária para sobreviver, o Neandertal pode, simplesmente, ter sido incapaz de lidar com as novas espécies que se moviam rapidamente pela Europa. “Os cachorros não foram um incidente na nossa evolução em Homo sapiens, eles foram essenciais para ela. Eles são o que nos fizeram humanos”, garante Shipman.

Texto retirado do site Ambiente Brasil.

Published in: on 06/11/2012 at 19:10  Deixe um comentário  

Butantan descobre sapo-cururu que lança veneno espontaneamente.

Pesquisadores do Instituto Butantan, unidade Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo na capital paulista, descobriram um sapo que possui comportamento predatório, o que até hoje era completamente incomum nesses animais.

Ao contrário dos outros anfíbios, que expelem veneno somente após sofrerem um ataque, o Rhaebo guttatus, espécie encontrada na Amazônia e semelhante ao sapo-cururu, tem um mecanismo de veneno ativado voluntariamente.

O estudo, feito na Amazônia por cerca de um ano, revelou que o animal, por meio de movimentações corporais que causam a compressão do paratóide (glândulas que armazenam o veneno), esguicha o veneno a uma altura de quase dois metros.

Ao efetuar um ataque, o sapo libera uma substância com propriedades inflamatórias, capaz de causar complicações neurotóxicas, cardiotóxicas, edemas pulmonares, problemas no sistema digestivo ou até mesmo levar o predador a óbito.

Segundo o diretor do laboratório de biologia celular, Carlos Jared, essa descoberta pode revolucionar o estudo dos anfíbios, pois jamais se imaginou um sapo com esse tipo de comportamento.

Texto retirado do site Uol Notícias.

Published in: on 23/08/2012 at 23:05  Deixe um comentário  

Cientistas produzem neurônios a partir de células de pele humana.

Amigos,

Coisas importantíssimas estão sendo descobertas. E isto é simplesmente maravilhoso!! Só me preocupo com a utilização de animais para isto… 

Marilia Escobar

Pesquisadores afirmam ter desenvolvido um modo de produzir neurônios diretamente de células da pele humana, inclusive as de pacientes com Alzheimer. O novo método pode facilitar a geração de neurônios para terapias de reposição no futuro, de acordo com a pesquisa publicada na revista científica Cell.

Os neurônios produzidos já estão começando a render teorias sobre o que há de errado no cérebro com Alzheimer e como os neurônios doentes podem responder a um tratamento.

Em outras pesquisas para gerar neurônios a partir de células da pele, as células adultas precisaram antes retornar ao estado embrionário. Essas células, chamadas de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), são difíceis de se produzir. Menos de 1% são feitas com sucesso. Além disso, são necessários meses de espera.

“As células iPS são estimulantes se pensarmos nos limites da clonagem e no uso de células-tronco, mas ainda há um vicioso e longo processo quando queremos usar células de pacientes ou células normais como células de reposição”, diz Asa Abeliovich, da Universidade de Columbia, autor principal do estudo.

A equipe de pesquisadores, por um processo de acerto e erro, conseguiu identificar fatores capazes de tornar células de pele humanaem neurônios. Refinandoa pesquisa, eles obtiveram a conversão de 50% das células.

Os neurônios produzidos in vitro foram capazes de transmitir e receber sinais e, quando transplantados em cérebros de ratos em desenvolvimento, as células convertidas foram capazes de se conectar ao circuito existente. “São realmente neurônios”, diz Abeliovich.

Já nos neurônios produzidos a partir de células com Alzheimer, os pesquisadores perceberam anormalidades características da doença. Assim, acreditam que a análise pode trazer conclusões significativas que não puderam ser obtidas por meio de pesquisas anteriores.

Segundo o pesquisador, no entanto, há uma preocupação crescente sobre a estabilidade dessas células, já que a habilidade delas de se reproduzirem e crescerem também torna maior o risco de câncer.

“Não sabemos se teremos respostas, mas, ano menos, agora nós podemos fazer a pergunta. É a ponta do iceberg”, diz Abeliovich.

Texto retirado do site G1.

Novo tipo de bactéria superresistente é identificado na Grã-Bretanha.

Cientistas da Universidade de Cambrigde, na Grã-Bretanha, descobriram um novo tipo de superbactéria: uma cepa até então desconhecida do Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA, na sigla em inglês). O achado foi relatado na revista médica “Lancet Infectious Diseases”.

O micro-organismo foi encontrado em amostras de leite colhidas de vacas, durante uma pesquisa sobre mastite. Mas, segundo Laura Garcia-Álvarez, autora principal do artigo científico que relata a descoberta, a nova versão dos MRSAs está presente tanto nos bovinos comoem humanos. Asamostras em homens foram encontradas na Escócia, Inglaterra, Dinamarca, Irlanda e Alemanha.

Os micro-organismos Staphylococcus são comuns na natureza e podem estar presentes na pele de até 15% dos humanos, somente causando infecções quando entram no corpo através de cortes e ferimentos.

Para combater esta bactéria, normalmente são usados medicamentos derivados da penicilina. O problema surge quando alguns tipos deStaphylococcus aureus, a espécie mais violenta de gênero de bactéria que sempre causa doenças, tornam-se resistentes a essas drogas.

A ameaça ao corpo é a mesma que a de um Staphylococcus aureus normal, mas as opções de tratamento diminuem. Infecções por MRSAs são mais frequentes em ambientes hospitalares, locais onde a resistência a antibióticos é favorecida.

A nova cepa não é detectada pelo métodos consagrados para identificar os Staphylococcus aureus resistentes à metilicina. Ela possui uma versão do gene mecA, porém apenas 60% fiel ao original encontradoem outras MRSAs.

Texto retirado do site G1.

Estrela-do-mar pode trazer cura para inflamações, dizem cientistas.

Cientistas britânicos afirmaram que as estrelas-do-mar podem ajudar na descoberta de novos tratamentos para doenças como a asma, a febre do feno e a artrite.

Pesquisadores do King´s College, em Londres, estão particularmente interessados na substância viscosa que cobre o corpo da espécie Marthasterias glacialis – também conhecida como estrela-do-mar de espinhos ou estrela-do-mar verde.

O objetivo do estudo é desenvolver uma substância que proteja o corpo humano de condições inflamatórias inspirada no muco que envolve o corpo do animal.

A equipe da empresa de biotecnologia GlycoMar, sediada na Associação Escocesa para a Ciência Marinha em Oban, na Escócia, também diz que as substâncias químicas presentes nesse muco poderiam inspirar novos medicamentos.

Antiaderente natural

Quando objetos são colocados no mar, eles tendem a ser rapidamente cobertos por uma mistura de organismos marinhos. As estrelas-do-mar conseguem manter sua superfície livre desses organismos.

Charlie Bavington, um dos integrantes da equipe da GlycoMar, explicou: “Estrelas-do-mar são banhadas por uma solução de bactérias, larvas, vírus e toda sorte de coisas que procuram algum lugar para viver”.

“Mas as estrelas são melhores do que teflon: possuem uma superfície antiaderente muito eficiente que impede que as coisas grudem”. É esta propriedade antiaderente que chamou a atenção dos cientistas, particularmente no que diz respeito a condições inflamatórias.

Inflamação

A inflamação é uma resposta natural do organismo a ferimentos ou infecções, mas condições inflamatórias ocorrem quando o sistema imunológico se descontrola.

Nesses casos, as células brancas, ou leucócitos, que normalmente navegam livremente pela corrente sanguínea, se acumulam e grudam nas paredes de artérias e veias, provocando danos ao tecido.

A ideia que orienta o trabalho dos cientistas é criar um tratamento baseado no exemplo da estrela-do-mar. As artérias seriam cobertas por uma espécie de muco que impediria que as células brancas aderissem ao tecido arterial.

Condições inflamatórias podem ser tratadas de maneira efetiva com o uso de esteroides, por exemplo. Mas essas drogas podem provocar efeitos colaterais indesejados.

Eles acreditam que as estrelas-do-mar possam oferecer uma solução melhor, e por isso estão analisando as substâncias químicas presentes no muco que cobre o corpo destes animais.

Pesquisa evolutiva

Clive Page, especialista em farmacologia do KingsCollege, disse que grande parte das pesquisas já foram feitas pela própria estrela-do-mar em anos de evolução.

“Normalmente, quando você está tentando achar uma droga nova para alcançar um determinado alvo em seres humanos, tem de testar centenas de moléculas até achar algo que lhe dê alguma pista.”

“A estrela-do-mar está nos oferecendo pistas diferentes”, explicou Page. “Ela teve bilhões de anos de evolução para criar moléculas que fazem coisas específicas”.

Após identificar compostos promissores, a equipe está trabalhando em um laboratório para desenvolver sua própria versão dessas substâncias. “Conceitualmente, sabemos que esta é a abordagem correta. Não vai acontecer amanhã à tarde, mas estamos aprendendo o tempo todo com a natureza maneiras de encontrar novos remédios.”

Farmácia marinha

A corrida para a exploração do potencial dos oceanos no desenvolvimento de medicamentos mal começou. Já existe um novo analgésico baseado em uma espécie de caracol marinho.

Cientistas estão começando a estudar uma gama de organismos à procura de medicamentos, de pepinos-do-mar a algas.

David Hughes, um ecólogo da Associação Escocesa para a Ciência Marinha, disse à BBC: “Existe uma grande diversidade de animais e plantas que vivem nos oceanos e poucos deles foram testados ou investigados”.

“Sabemos que animais e plantas marinhos produzem uma imensa quantidade de compostos, às vezes muito diferentes daqueles produzidos por animais e plantas terrestres. Muitos deles podem ter propriedades úteis para a medicina.”

Texto retirado do site Portal da Educação Física.

Published in: on 16/12/2010 at 18:47  Comments (2)  

Indícios de pensamento são achados em cérebro de verme.

Nos humanos, o córtex cerebral é tido como um dos principais responsáveis pelo pensamento criativo e analítico. Porém, sempre foi um mistério de que modo essa parte do cérebro evoluiu. Agora, pesquisadores relatam que algo similar a um córtex cerebral existe em um verme marinho da família Nereididae, uma pequena criatura com raízes antigas que não sofreu alterações em centenas de milhões de anos.


“Pode-se dizer que a topografia é tão similar que o humano e o verme devem vir de um ancestral comum”, diz Detlev Arendt, do Laboratório Europeu de Biologia Molecular. Primeiro, Arendt e seus colegas determinaram quais genes foram ativados e desativados nas células do cérebro durante o processo evolutivo do verme. Depois, descobriram que uma parte do cérebro do animal, conhecida como corpora pedunculata, era muito similar ao córtex cerebral. A estrutura controla os sentidos olfativos do verme, e pode ter ajudado o ancestral comum entre vermes e humanos a encontrar alimento no fundo do mar.

Texto retirado do jornal O Tempo.

Published in: on 12/10/2010 at 16:29  Deixe um comentário  

Origem e formação do planeta Terra e da humanidade

O vídeo acima é muito bacana, porém não relata a verdade sobre o surgimento e evolução da vida na Terra. Sabe-se hoje que tudo o que ocorre aqui tem como base a Evolução.

Primeiro surgiram microorganismos anaeróbicos que consumiam os gases presentes no planeta até que alguns deles  começaram a liberar gases como o oxigênio, proporcionando meio suficiente para o surgimento de organismos aeróbicos. Daí surgiu-se todas as formas de vida. Os organismos foram evoluindo junto com o planeta tomando formas cada vez mais complexas.

Published in: on 19/09/2010 at 20:19  Deixe um comentário  

Fóssil de réptil com dentes similares aos de mamíferos é achado na África.

Os ossos de um antigo crocodilo foram encontrados na Tanzânia, leste da África, e geraram discussão sobre a vida animal há 100 milhões de anos na África Subsaariana, já que o animal possui arcada dentária similar a de mamíferos.

Achado na região do Lago Rukwa, o fóssil pertence a uma nova espécie conhecida como Pakasuchus, e possui aparato dentário para processar comida de forma parecida como o fazem mamíferos carnívoros.

A descoberta foi divulgada nesta quarta-feira (4) e integra a edição desta semana da revista científica Nature. Segundo os especialistas, o animal teria um crânio com o tamanho de um palmo de mão e teria sido comum entre 110 milhões e 80 milhões de anos antes dos tempos atuais.

A nova espécie não guarda muita semelhança com os crocodilos atuais, mas representa um segmento bem sucedido da família crocodylidae que viveu durante a Era Mezozoica, faixa de tempo que compreende três períodos e vai de 265 milhões a 65 milhões de anos atrás.

Responsável pela equipe responsável pela descoberta, o professor Patrick O’Connor, da Universidade Ohio, em Athens, nos Estados Unidos, iniciou a pesquisa sobre crocodilosParasuchus em 2008. O autor principal do estudo publicado na Nature já encontrou outros sete resquícios da espécie no sudoeste da Tanzânia.

A fileira com dentes molares intriga os especialistas. Geralmente, crododilos do período Cretáceo – uma das divisões da Era Mezozoica, entre 145 milhões e 65 milhões de anos atrás – apresentam dentes simples, cônicos, usados para matar e cortar grandes nacos da presa.

Texto retirado do site G1.

Published in: on 04/08/2010 at 21:15  Deixe um comentário  

Lagartos entram em extinção mundial por causa do aquecimento.

Um grupo de 26 cientistas de 11 países, entre os quais um brasileiro, concluiu que os lagartos já cruzaram o portal das extinções em massa, por causa do aquecimento global. Além de um certo limite de elevação da temperatura, eles simplesmente não estão conseguindo se adaptar. Os pesquisadores calcularam que 40% das populações locais serão extintas até 2080. Em termos de espécies, 20% vão desaparecer até lá, caso o padrão de emissões de gases-estufa siga na mesma toada. Na avaliação dos especialistas, muitas das extinções projetadas para 2080 até podem ser evitadas, caso finalmente haja esforços de fato (e não apenas declarações de intenções) para reduzir emissões. Mas o cenário para 2050 é “provavelmente inevitável”, sentenciam.

“Os lagartos são elementos indicadores muito bons das relações com a térmica do ambiente, porque são muito sensíveis às variações de calor”, explicou ao G1 Carlos Duarte Rocha, do Departamento de Ecologia do Instituto de Biologia da UERJ, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Os bichos vivem se “termorregulando” – calibram a tempertura corpórea pela temperatura do ambiente – movendo-se habilmente por seu “nicho térmico”. Nicho térmico é o conjunto de ambientes que eles exploram para, compensando aqui e ali, manter a temperatura média. “O lagarto se expõe ao sol para atingir uma determinada temperatura corpórea, depois vai para a sombra, depois volta para o sol a fim de ‘fazer manutenção’”, explica Rocha. “Mas com a desregulação resultante do aquecimento, ele não consegue mais ter essa margem de manobra. Resultado: retorna ao abrigo rápido demais, mesmo sem ter se alimentado, porque se não bater em retirada entra em torpor e morre”, diz o cientista.

Assim, se um lagarto poderia há alguns anos ficar em atividade por 12 horas fora do abrigo, hoje, com todo o arrocho nos termômetros, a única faixa viável de livre trânsito se estreita para 3 ou 4 horas. “Ele não vai conseguir alimento em quantidade necessária, não vai atingir o tamanho que é preciso para delimitar território e procriar, simplesmente não terá sucesso reprodutivo”, descreve Rocha. Ou seja: tudo que é essencial para sobreviver é tirado dos bichos.

“Achávamos que os lagartos seriam capazes de se adequar, aclimatar, evoluir rapidamente para fazer frente a esse processo de aquecimento”, conta o biólogo. “Mas verificamos que não existe esse processo de evolução assim tão rápido, porque a arquitetura genética associada à fisiologia deles não anda tão velozmente quanto o aquecimento.”

Os pesquisadores cruzaram dados sobre a temperatura do corpo de lagartos e os séries históricas de distribuição geográfica de diferentes espécies para determinar quantas horas de restrição da atividade poderiam ser sustentadas pelos lagartos.

Para piorar, constataram que os ambientes em que ocorreram as erradicações não são perturbados e, a maioria deles está em parques nacionais e outras áreas protegidas. Conclusão: enquanto a recente extinção global de anfíbios não está diretamente relacionada à mudança do clima, mas, principalmente à propagação de doenças, as extinções de lagartos se devem ao aquecimento do clima, de 1975 até o presente.

Eles destacam que esse desaparecimento em massa terá importantes repercussões “para cima” e “para baixo” na cadeia alimentar, já que os lagartos são presas importantes para muitos pássaros, serpentes e outros animais, e importantes predadores de insetos. Os pesquisadores preveem, em nota apresentando suas conclusões, “o colapso de algumas espécies no extremo superior da cadeia alimentar, e uma liberação para as populações de insetos”.

Quanto sol na moleira pode um lagarto aguentar?
Para investigar a ligação entre extinções e temperatura, os pesquisadores foram a uma área na Península de Yucatán onde o lagarto-azul (Sceloporus serrifer) havia declinado nos seus estoques populacionais, instalaram dispositivos que simulavam o corpo de um lagarto tomando sol e fizeram o registro das temperaturas em um microchip. Os dispositivos foram fixados por quatro meses em locais expostos ao sol em áreas com e sem populações sobreviventes do lagarto-azul-espinhoso.

O líder do estudo, Barry Sinervo, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade da Califórnia, câmpus de Santa Cruz, usou as descobertas para desenvolver um modelo de risco de extinção baseado nas temperaturas máximas do ar, na temperatura fisiológica de cada espécie de lagarto quando está ativa e as horas nas quais a atividade seria restrita pela temperatura do ambiente. Onde foram extintos, a redução do período de atividade, por excesso de calor, chegou a 9 horas por dia, diz Rocha.

Na comparação entre as previsões do modelo com as observações no México, as únicas diferenças foram em alguns casos onde a população foi eliminada mais cedo do que o esperado por causa da competição com uma espécie que expandiu a sua ocorrência, porque estava adaptada a temperaturas mais quentes.

Indícios no Brasil
No caso específico de um lagarto que só existe no estado do Rio de Janeiro, o lagartinho-branco-da-praia (Liolaemus lutzae), estudado há décadas por Rocha, desde 1984 o número de áreas de restinga nas quais a espécie poderia ser encontrada caiu de 24 para 17. Isso significa que houve quase 30% de extinção de populações locais.

A parte brasileira da pesquisa “Erosion of lizard diversity by climate change and altered thermal niches”, publicada na “Science” desta semana, teve financiamento do CNPq e da Faperj.

Texto retirado do site G1.

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